Concluo hoje que "longe da vista, longe do coração" tem o seu fundo de verdade. Afinal, não era apenas tristeza por viver longe da cidade natal. Nos últimos meses aprendi a aceitar a evolução natural da vida, sem enveredar pelo caminho de autocomiseração. Penso que rocei a depressão, mas consegui manter-me à tona. Cada um acaba por ter sucessivos recomeços, que se consolidam e se transformam em novos caminhos. Mantêem-se aqueles (poucos) cuja presença e apoio são inabaláveis. Felizmente. Como o passadiço daquela praia que esta semana visitei. O vento intenso vai moldando a paisagem à volta, por vezes ameaçando a base e perturbando a estabilidade, outras cobrindo-o e baralhando os seus contornos. Mas ele mantém-se e segue até onde tem de ir. E há o mar, que nunca o abandona, seguindo lado a lado, aproximando-se ocasionalmente para relembrar ao passadiço que ele não está sozinho.