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26 de junho de 2015

Já de lágrima ao canto do olho

Amanhã casa um casal de amigos muito próximo, quase família.
Será épico, com coreografias surpresa incluídas. Ao nível do que eles merecem.

Ao contrário da maioria das mulheres que conheço, nunca imaginei vestido, nem local, nem nome dos filhos. Acho que é algo que se pensa quando chegar a altura, não faz sentido fazer castelos no ar, embora a nossa cultura vá nesse sentido.
E agora eu, ateia e que nunca sonhei com o próprio casamento, dou comigo a querer celebrar assim o amor (embora sem a parte religiosa). 
Evolução natural da idade e da relação, ou deixei-me contagiar pela emoção dos preparativos para amanhã? Ou ambas?


22 de maio de 2015

Evolução natural


Concluo hoje que "longe da vista, longe do coração" tem o seu fundo de verdade.
Afinal, não era apenas tristeza por viver longe da cidade natal.
Nos últimos meses aprendi a aceitar a evolução natural da vida, sem enveredar pelo caminho de autocomiseração. Penso que rocei a depressão, mas consegui manter-me à tona. 
Cada um acaba por ter sucessivos recomeços, que se consolidam e se transformam em novos caminhos. Mantêem-se aqueles (poucos) cuja presença e apoio são inabaláveis. Felizmente.

Como o passadiço daquela praia que esta semana visitei. 
O vento intenso vai moldando a paisagem à volta, por vezes ameaçando a base e perturbando a estabilidade, outras cobrindo-o e baralhando os seus contornos. Mas ele mantém-se e segue até onde tem de ir. E há o mar, que nunca o abandona, seguindo lado a lado, aproximando-se ocasionalmente para relembrar ao passadiço que ele não está sozinho.


16 de maio de 2015

Já abrandavas

Aquela frustração de não conseguir atualizar o blog à velocidade que a vida tem corrido. 

14 de maio de 2015

Mindfulness

Ao ler sobre o assunto, fico contente por saber que, mesmo sem saber, sigo muitos dos princípios deste modo de estar.
Ainda bem.

28 de abril de 2015

Angústia

Saber que a vida na cidade natal corre depressa demais para a minha capacidade de acompanhamento, estando longe.
Uma angústia no peito cresce com a sensação de que lentamente passo a ser uma estranha entre amigos de sempre. 
Merda da distância.

26 de abril de 2015

Anfitriã

Isto de ser anfitriã da festa de aniversário já foi mais fácil.
Durante a infância e adolescência não tem nada que saber: amizades puras, o que interessa é estar com os amiguinhos e não se pensa mais nisso.

Já em adultos, a história é outra. No ano anterior vi-me no meio de "devias ter convidado X" e "a presença do Y deixou chateado Z", o que me fez sentir extremamente incomodada. O evento deixou de ser meu.

O meu aniversário não é um casamento nem um evento social semelhante, com o objetivo de agradar a toda a gente. Assim, e contrariando a minha tendência natural para convidar meio mundo, apenas se sentaram à mesa para jantar aquelas pessoas que durante os 365 dias anteriores estiveram presentes na minha vida, ininterruptamente, e às quais eu agradeço com um serão que me encheu o coração.


13 de março de 2015

Aqueles momentos

em que não apetece fazer nada. Parece que o corpo se funde com o ambiente e ali ficamos a fazer parte da atmosfera, a descansar.

Vá, levanta-te Heriwen.

26 de fevereiro de 2015

Faz parte.

Aquele momento em que se ouve o sinal de chamada em curso, mesmo antes de alguém atender para receber a notícia da morte de um familiar. 
Segundos suficientes para deixar o coração apertado, tentando preparar a voz com tom profissional neutro, mas ao mesmo tempo sem ser fria. A antecipação angustiante de saber que vou decretar o luto de alguém. O choro que se ouve do outro lado.

Por mais anos de experiência que passem, nunca serão suficientes para ficar indiferente à comunicação de falecimentos, efetivos ou eminentes. Pouso o telefone, respiro fundo. 

23 de fevereiro de 2015

Preocupante

Percebemos que a liberdade deste país está limitada quando as decisões de organização no local de trabalho são tomadas com base em políticas e interesses, e não no profissionalismo e qualidades das pessoas. 

19 de fevereiro de 2015

Depressivo

Desvantagens de receber visitas na cidade onde trabalho, longe da cidade natal: o vazio que se sente quando vão embora. 
A alegria de receber contrasta demasiado com a solidão. 


9 de fevereiro de 2015

Shake it off

Tens de começar a pensar mais na tua vida pessoal, diz o meu querido F.
Não é fácil, não é fácil.
Embrenho-me no conforto da rotina e entro em modo automático. Um estado de defesa que, embora produtivo profissionalmente, é castrador a nível psicológico.
Tenho de planear algo diferente, sem medos, preciso de sentir que continuo senhora de mim.

7 de fevereiro de 2015

Frustração

Quando o cansaço é tanto que nem o tempo livre é aproveitado com qualidade.

25 de janeiro de 2015

Em modo "kill the cupid"

Dos filmes da Disney às comédias românticas. Todas as nossas expectativas são modeladas de acordo com o príncipe perfeito, o encontro perfeito, a família perfeita.

Mas a realidade é bem diferente, bem longe desse ideal luminoso e fofinho. Não há príncipes, não há romance fantasiado, e não há pirilampos nem passarinhos a cantar quando abro o coração e ele não retribui o beijo.

Por isso, comecem a ensinar às crianças que contos de fada são pequenas mentiras pintadas de cor de rosa, para que o choque não seja tão grande.
Eu realmente não percebo nada disto.


16 de janeiro de 2015

Miséria

Percebemos que isto é um país na miséria quando as pessoas vão ao Serviço de Urgência do hospital para conseguirem uma refeição gratuita enquanto lá estão.

13 de janeiro de 2015

A sós

  Esta coisa de viver sozinha não é assim tão cor de rosa como pode parecer, sobretudo à vista desarmada de alguém sedento de independência.
É certo que a liberdade é inquestionável, e as responsabilidades adquiridas, bem como os problemas a resolver, fazem subir uns degraus na escala de maturidade.
  Mas há o outro lado, mais negro. O isolamento tende a criar barreiras de defesa,  um amargo que se instala de mansinho sem se fazer notar. Após um ano a viver no meu espaço, sem dúvida que a balança pende para o lado das vantagens, mas sinto-me um pouco distante de mim, ironicamente. Talvez o meu antigo "eu" precisasse de um abanão para se tornar mais auto-suficiente, mas perdi alguma calma e disponibilidade para as pessoas. Sinto-me pouco inspirada. 
  Perdi a sensação de estabilidade. A viver numa cidade diferente, mas com um pezinho na cidade natal aos fins de semana, já não tenho bem a certeza onde pertenço. Fico com a sensação que a vida de todos progride, e eu sem poder fazer parte dessa evolução.
  À medida que a carreira e a idade crescem, aumenta também a competitividade e o individualismo. Uma sociedade cruel, capitalista, fria. Sinto falta do aconchego das pessoas com quem sempre vivi, cuja ausência nunca pode ser compensada com sms. 

  Começo a achar que faz parte da natureza humana saudável viver acompanhado. Somos animais que vivem em comunidade. Por muito aventureiros, independentes e de personalidade bem vincada que sejamos, há que aceitar a evidência. A maneira de estarmos mais próximos de nós mesmos é estando próximo de outros. 



7 de janeiro de 2015

Abram as mentes, por favor

Matar em nome de Deus deve ser o maior disparate que a humanidade conta a si própria desde sempre.


Coração apertado com as notícias sobre a minha cidade do coração, e sobre a (falta de) liberdade.


5 de janeiro de 2015

Sobre a futilidade jornalística

Sócrates não é um preso político. É um político preso.

E há problemas reais para documentar/discutir/resolver.

27 de dezembro de 2014

Comportamentos

Então é assim que funciona, pelos vistos. É preciso tomar a atitude radical de rotura para que notem a nossa falta.
Mas entretanto o grau de exigência mudou... 




7 de dezembro de 2014

Story of my life

Cativou-me a atenção e fiquei com vontade de conhecer mais.
E depois deixou de ter tempo.


Estou lixada, são todos iguais.

2 de dezembro de 2014

Singularidades

O meu cabelo nasce às ondas, e termina em caracóis.
Não é fácil de dominar, pois todos os dias tem curvas diferentes, e frisa com facilidade. É seco nas pontas que, por serem encaracoladas, implicam meses para que se note o crescimento.

Não é liso, sedoso, solto a cair pelos ombros, de acordo com a imagem prevalente de sensualidade.

Mas é rebelde, tem textura e volume. Fica lindamente com madeixas de um tom mais claro, serpenteando pelas ondas. Não é fácil, mas é único, e é meu.