15 de junho de 2013

Chamo-te

Chamo-te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que não quero ver.

Peço-te que sejas o presente.

Peço-te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.


Sophia de Mello Breyner Andresen

1 comentário:

Anónimo disse...

Lindíssimo :')