18 de fevereiro de 2011

Eu, "a amiga"

Vamos lá ver se a gente se entende.

Sou "a amiga". Não queres relacionamentos porque dizes estar bem assim, livre e sozinho. Mas passamos longas tardes juntos, temos aquela cumplicidade de quem já adivinha os pensamentos um do outro, trocamos segredos e gelados ao pôr do sol. E sabes bem que te adoro, não disfarces.

Então qual é o meu papel no meio disto tudo? Como ser mais que amiga mas menos que namorada? Como não deixar que os sentimentos se manifestem quando me olhas a sorrir, assim dessa maneira de quem não tem consciência do quanto és precioso para mim?

Sabes que tenho pais com regras rígidas, não posso aceitar todos os teus convites para tomar um copo depois do jantar. Sabes também que por mim ia contigo divagar pela noite fora até o dia nascer. E acima de tudo sabes que cada vez que te digo "não", impotente perante as condições que me são forçadamente impostas, o meu coração sofre mais um aperto (um dia destes colapsa). Sabes, mas olhas para mim como se eu não fosse suficientemente forte para contestar a autoridade parental, como se eu não fosse suficientemente boa para ti.

Mas eu sou "a amiga", e a amiga não se magoa, é uma porreira.

Como segurar a minha alma para que não toque na tua?

2 comentários:

Luna disse...

Conselhos de uma amiga que, vá, até entende o que se passa desse lado (tanto dum quanto doutro).
Todos nós nos acomodamos a realidades que vivemos, a coisas a que nos habituamos, muitas vezes decisões que tomamos tendo por base o célebre ditado: “Gato escaldado de água fria tem medo!”. Medo, aí tens a palavra. O Medo de voltar a sofrer é uma aprendizagem que fazemos depois de passar por determinado trauma. Não é uma boa aprendizagem, mas é um instinto protector que todos temos, de uma maneira ou de outra. Funciona evitando situações que nos levaram até ao dito trauma. Consegues agora melhor perceber o que o leva a querer ser “livre” estando “sozinho”? É o nicho dele… isso de certa forma ajuda-o a alcançar mais facilmente o tal “lugar mágico” que todos temos, a ser ele mesmo.
Quanto a ti, amiga querida, lembra-te sempre que o que vocês têm é muito melhor do que nada. Eu sei que inevitavelmente sofres com esse “nem é carne, nem é peixe”, mas de cada vez que sintas esse sofrimento pensa no copo meio cheio… na vossa cumplicidade, nos belos momentos que passam juntos, no mágico sentimento que tens por ele (sim, eu sei, apesar de não poder ser totalmente manifestado e explorado), e sobretudo fica grata por tudo isso! :)
Vocês estão unidos por algo muito especial, isso ninguém vos tira. As vossas almas já se tocam… Aproveita! Não te prendas tanto com as questões “práticas” da coisa.
Ouve esta música, que a mim me transmite uma sensação de tranquilidade, segurança, força e confiança: Wait for you – Nelly Furtado.
Because… “Some of the hardest things are easy to achieve with patience”. ;)

*Beijinhos*

Heriwen disse...

Luna:
As tuas palavras são sábias e comoventes =)
Tens toda a razão, devo aproveitar o que tenho, mesmo que o coração se revolte e peça mais. Porque no fundo nós pedimos sempre mais, somos uns eternos insatisfeitos, o que não tem mal desde que se saiba aproveitar o que já existe.

Muito obrigada! =)
Bjinho com saudades*